Instituto Aliança visita a Casa do Rio, no Amazonas, participa de encontro formativo e aprende sobre a pedagogia da floresta

 
 
 

Corpo, território e convivência: práticas vivenciais integraram a programação do encontro formativo realizado pela Casa do Rio. Produções coletivas ajudaram a traduzir percepções, experiências e aprendizados construídos ao longo da imersão. A floresta se apresentou como espaço de observação, escuta e construção de conhecimento durante a imersão.


Entre os dias 16 e 18 de abril, uma equipe do Instituto Aliança esteve na Escola Municipal Igapó-Açu, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Igapó-Açu, no Amazonas, em uma imersão na chamada pedagogia da floresta. Em experiência conduzida pela Casa do Rio, aabordagem integrou educação, natureza e vida comunitária a partir do território. Mais do que uma visita institucional, a vivência foi, na prática, um mergulho em ações formativas que colocam a relação, a escuta e o contexto como ponto de partida do aprender.

“Essa vivência reforça algo que é central para o Instituto Aliança: a importância de metodologias que partem da realidade concreta, do território como espaço vivo de aprendizagem. A experiência dialoga com a pedagogia de Paulo Freire, que vem inspirando o Instituto Aliança desde as suas origens, ao reconhecer que o conhecimento não se constrói de forma vertical ou distante da vida das pessoas, mas nasce da escuta, do diálogo e da leitura crítica da realidade", afirmou a diretora do Instituto Aliança e coordenadora-geral da ação, Adenil Vieira.



Participantes do encontro “Pedagogia da Floresta - Caminhos do Igapó”, realizado pela Casa do Rio, no Amazonas.

 

Representantes do Instituto Aliança – Márcio Lupi e Roberta Albuquerque – na chegada ao município de Careiro/AM, recebidos por Thiago Cavalli, fundador da Casa do Rio.

 

Representantes do Instituto Aliança e representantes da Casa do Rio: registro durante a formação.

Ao longo dos três dias na Escola Municipal Igapó-Açu, a equipe do Instituto Aliança participou de atividades formativas, rodas de conversa e vivências conduzidas pela Casa do Rio, em uma rotina que integrou reflexão, prática e convivência com o território.

“Foi uma experiência que nos tira do lugar da análise distanciada e nos coloca em relação direta com o que está sendo vivido. Isso transforma o modo como compreendemos os processos educativos, porque passa pelo corpo, pela escuta e pela vivência. Foram dias de muita troca e muitas aprendizagens práticas”, destacou a coordenadora pedagógica regional do Instituto Aliança, Roberta Albuquerque.



 

Elementos da floresta foram incorporados às atividades pedagógicas e experiências coletivas do encontro.

 

As ações foram todas integradas à natureza.

 

As vivências buscaram aproximar práticas educativas das dinâmicas, tempos e saberes do território amazônico.

 

A ideia é compreender com a floresta e não a floresta.



Para Marcio Lupi, coordenador de projetos do IA, a experiência “foi um exercício de desaceleração e de escuta profunda, que nos faz revisitar referências e ampliar o olhar sobre o que significa formar pessoas em contextos diversos. Isso nos instiga e tensiona e, ao mesmo tempo, fortalece muito o nosso fazer”, avalia.

“Quando a gente se aproxima de experiências como essa, ampliamos o repertório e reafirmamos, enquanto Instituto Aliança, a importância de construir práticas conectadas com a realidade dos territórios. Esses encontros nos ajudam a qualificar o que já fazemos e a enxergar novas possibilidades”, reforçou a coordenadora da área de incidência em políticas de educação, Eveline Corrêa.


As atividades integraram escuta coletiva, trocas de experiências e construção compartilhada de conhecimentos.

 

Marcio Lupi e Roberta Albuquerque, do Instituto Aliança, recebidos com carinho e acolhimento, do jeito especial que só a Casa do Rio sabe oferecer.

 

Boas-vindas com um toque especial: a recepção contou também com brindes produzidos pelos grupos das atividades promovidas pela Casa.

Ceane Simões, que conduziu o tema Educação do Campo, e Roberta Albuquerque durante as discussões sobre território, educação e floresta.

Aprender com o território – Na Casa do Rio, o território não é apenas cenário, é fundamento. As práticas educativas desenvolvidas pela iniciativa partem da realidade local, das relações construídas no cotidiano e da conexão profunda com o ambiente e com a comunidade.

Thiago Cavalli, fundador da organização, explicou que ela nasce de uma lógica muito situada, ancorada no território e nas relações que o constituem. “É daí que emerge a pedagogia da floresta, como uma forma de organizar processos de aprendizagem que articulam saberes locais e práticas educativas. Nessa perspectiva, a educação não se separa da vida na floresta e o território passa a ser um agente ativo, que molda conteúdos, metodologias e respeita os ritmos da vida local. A proposta é criar experiências formativas que estimulem reflexão crítica, escuta qualificada e um senso profundo de pertencimento à floresta e à comunidade”, ressaltou.



 

Rodas de conversa e partilhas fizeram parte da metodologia vivencial proposta pela Casa do Rio.

 

A metodologia participativa marcou o início e o fim das atividades.

 

Thiago Cavalli, ao lado da coordenadora pedagógica da Casa do Rio, Lia Mandelsberg, contribuindo com a plenária sobre a força coletiva e as relações construídas entre pessoas e território.

 

Carla do Carmo facilitando atividade em grupo com foco na educação infantil.

Essa lógica desloca o papel tradicional do educador e propõe uma atuação mais sensível e relacional, em que o conhecimento se constrói a partir da experiência.“A pedagogia da floresta não é um modelo pronto, mas um exercício contínuo, algo vivo que se constrói nos encontros, na escuta e no convívio com os territórios. Ela nos convida a deslocar o centro da formação, que deixa de ser o conteúdo e passa a ser a própria vivência das pessoas, reconhecendo saberes que já existem e construindo, coletivamente, modos de traduzir essas experiências para o cotidiano. No fim, o que se fortalece é menos uma metodologia e mais um modo de estar junto, aprendendo continuamente, como na própria vida em comunidade”, afirmou a responsável pela área pedagógica da Casa do Rio, Lia Mandelsberg.


A pedagogia da floresta parte da experiência coletiva e das relações construídas entre pessoas, território e comunidade.

O espaço formativo da Casa do Rio acolheu atividades construídas a partir da realidade e dos modos de vida do território.

Conexões que geram futuro – A aproximação com a Casa do Rio abre um horizonte promissor para o fortalecimento de parcerias, trocas de saberes e construção coletiva de soluções voltadas aos desafios sociais contemporâneos. O encontro representou a possibilidade de consolidar uma agenda de colaboração contínua, capaz de gerar impactos duradouros. Ao conectar diferentes vivências, metodologias e perspectivas, a iniciativa contribui para ampliar a capacidade de escuta, inovação e atuação conjunta diante das transformações sociais e educacionais que se apresentam para o futuro.

“Olhar para o futuro exige justamente essa capacidade de aprender com diferentes experiências, fortalecer redes de colaboração e desenvolver ações que façam sentido para as pessoas e para os contextos onde elas vivem”, destacou Eveline.



O encontro “Pedagogia da Floresta - Caminhos do Igapó” reuniu diferentes experiências e práticas educativas conectadas à Amazônia.

A experiência vivida na Casa do Rio reafirmou importância de construir processos formativos que partam da escuta, da troca e do reconhecimento das potências existentes nos territórios.

“Toda essa troca amplia horizontes e reforça o nosso compromisso de seguir construindo metodologias sensíveis às dinâmicas dos territórios, capazes de dialogar com diferentes contextos e promover aprendizagens significativas. Ao retornar, a equipe leva consigo não apenas registros e referências, mas também inquietações, inspirações e possibilidades de atuação que podem reverberar em diversas frentes de trabalho, fortalecendo redes, aproximando atores e estimulando novas formas de pensar educação, desenvolvimento e participação social”, avaliou Adenil.

No fim, a experiência evidencia que aprender é um movimento permanente de abertura ao outro e ao mundo. É na escuta atenta, no encontro entre diferentes vivências e na disposição para construir coletivamente que surgem caminhos mais consistentes para enfrentar desafios e imaginar futuros possíveis, futuros em que os territórios, suas histórias e seus saberes ocupem um lugar central nas práticas de formação e transformação social.



 

Na Casa do Rio, o território não é cenário: é parte ativa dos processos de aprendizagem e formação.

 

Participantes mostrando como brincar de peão com um broto de planta achado na mata.

Equipes da Casa do Rio e Instituto Aliança registrando o início de uma bonita parceria.

Saiba mais – A Casa do Rio é uma iniciativa localizada na Amazônia que desenvolve processos formativos baseados na chamada pedagogia da floresta. Sua atuação integra educação, território, saberes tradicionais e práticas comunitárias, propondo uma aprendizagem que se constrói na relação com o ambiente, com as pessoas e com as experiências vividas.

 
 
 
 

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